domingo, 19 de setembro de 2010

Tarde de Ressaca

Acordei de sobresalto com o barulho do telefone. Não era seu número. Do outro lado não ouvi sua voz. O que me dizia a pessoa, quase não lembro. Me convidava a alguma nova festa, provavelmente. E eu mal conseguia me levantar. Pouco se passou e chegou uma mensagem. Todo meu corpo enfermo e as palavras beiravam a mediocridade. Nova festa. Queriam tanto minha presença que me senti importante durante uns segundos. Todavia, lembrei quem eu era. Pensei nas frases ditas nos momentos de raiva. É. Eu sou cruel quando quero. Sei ser assim. Mas os outros.. bom eles vivem imaginando que me conhecem. Você sabe.
Levantei com pressa. O banho quase de descarrego, me esperava. Eu precisava. Concluí que minha memória falhara na noite passada. Ouvi esporros. E depois, tive carinho. Me senti um animalzinho de estimação. Desses de madame. Bem tratado. Alimentado o suficiente. No fim, um animal como outro. Que dão comida pra domesticar.
Eu que sempre me mostrei tão rebelde, acabei virando molde de alguma coisa inacabada. Ressaca moral, anormal. Os machucados perfuraram não só a pele. Mas também minha cabeça, meu ego ferido. Não quero mais porres. Prefiro a mente sã. Prefiro saber das coisas. Prefiro ser quem comanda. Quem se revolta, sempre tendo razão.